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lazaro

…Quarenta anos depois do 25 de Abril, a desigualdade continua a crescer entre ricos e pobres e a cor de pele ainda pode ser uma fronteira, tirando na Avenida da Liberdade, em que o dinheiro dos angolanos faz com que os lojistas apenas vejam os cartões de crédito, que não têm raça.

Tenho amigos que continuam a ser parados nas ruas e detidos, acusados de crimes que não cometeram, sem que isso os safe de serem espancados. Os seus bairros são zonas de guerra onde não há cidadania.

Vivem no mesmo país em que os crimes dos banqueiros prescrevem, em que nunca ninguém ligado aos poderosos será condenado, com uma justiça que acha normal que as multas de milhões deixem de ser pagas, enquanto os pobres são roubados pelo Estado. Mataram-lhes a esperança. Em Portugal nada é igual para todos e o 25 de Abril falhou.

Nuno Ramos de Almeida no i

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…Não existem hábitos de tolerância e de compromisso, não há instituições que inspirem o respeito da maioria da população, não há uma classe dirigente respeitável e respeitada. Nem sequer há uma razão maior para um patriotismo indiscutível e partilhado. Sem nenhum fundamento sólido, Portugal anda, de facto, à mercê das circunstâncias…

Vasco Pulido Valente no Público

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O fim do túnel da troika já se vê e o que se vê não é luz que encante. Mais um aviso: o de Cavaco Silva. No Expresso, o Presidente publicou o prefácio do último Roteiros, balanço e perspetivas anuais do seu mandato. Resumo: o começo do fim vai durar muito e vai acabar mal. Sobre durar muito, ele é taxativo: só nos livramos desta canga lá para 2035. Sobre acabar mal, ele não o diz assim (um Presidente não pode ser tão profeta da desgraça), mas aponta solução agora irrealista: só um consenso de PSD, PS e CDS levantar-nos-ia. Eu estou de acordo com a mezinha (necessária, embora não suficiente), mas duvido da eficácia por causa da… ordem das páginas. A solução é-nos apresentada num prefácio, não é? Pois, não é um prefácio, é um posfácio – e essa é uma das causas da nossa desgraça. Um prefácio escreve-se em páginas antes do assunto do livro, para o iluminar. O livro da nossa desgraça – a nossa crise – deveria ter tido, sim, um prefácio sensato. Dizendo, em 2009, 2010 e 2011, isto: A) esta é uma crise global; e: B) e é também uma crise especificamente portuguesa, com erros e vícios que sucessivos governos portugueses aprofundaram; e: C) a situação é grave e aqueles que a causaram têm o dever nacional de se juntar para nos tirarem dela… Infelizmente, ninguém importante disse, então, esse prefácio. Ouviu-se, isso sim, demasiado, a negação de A). E, em vez de B), a demonização de um só governo. Isto é, impediu-se C).

Ferreira Fernandes no DN

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Já repararam como da boca de Cavaco nunca saiu uma manifestação de solidariedade ou humanismo sobre alguma coisa? Nem sequer falsa ou fingida? Qualquer coisa de vagamente parecido com moral ou ética republicana? Apenas automatismos zombi, nem sequer particularmente legalistas, mas a maior parte das vezes preocupados com a sua sobrevivência política. E quando sorri, ou diz uma piada sem piada, ou se esmifra por fazer um discurso em momentos solenes, o que sai é apenas complacência com uma espécie de modorra provinciana, os “bons” costumes e as aparências, tudo empacotado no que gosto de descrever como “aflição”. Ocorrem-me imagens de presidentes de câmara apaniguados com bispos inaugurando quartéis de bombeiros. Talvez seja por isso que tanta gente se concentra na figura caricaturável da mulher do presidente. Ele é ela em drag king. Ela é que é Cavaco em estado não-montado, com as aflições aflorando sem a máscara do cargo.

Miguel Vale de Almeida no FB

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Vasco Pulido Valente, Uma despedida, hoje no Público. Excerto, sublinhados meus:

«Eduardo Lourenço disse que o congresso do PSD lhe parecia uma espécie de missa cantada. A mim, que sei pouco de missas, o que me pareceu o congresso foi uma festa de despedida. […] Tanto os “chefes” como os “militantes” sentiram, e com razão, que não se tornariam a encontrar tão cedo naquele ritual. E talvez nunca mais. Vieram de certa maneira ao enterro de uma história, para eles gloriosa, que não voltará. Depois de Passos Coelho, depois de Cavaco, depois desta maioria (embora com CDS) ninguém no seu juízo pensa que o PSD pode ter genuinamente a esperança de recuperar a confiança do país.

Não são só estes quatro anos de “austeridade” e a incompetência política com que o Governo executou o programa da troika. É a singular esterilidade de quase tudo quanto fez. O grande partido “reformista” não reformou coisa nenhuma. Na essência, Portugal está como estava antes, com menos dinheiro. […]

É um mistério como Passos Coelho e a sua corte conseguem imaginar que “empobrecer” os portugueses, liquidar uma boa parte da classe média e tirar o futuro às gerações que tão iludidamente se “qualificaram” é uma política esquecível e perdoável. […] O actual primeiro-ministro já suspeita que vai morrer em 2014 ou 2015, principalmente quando o país descobrir, com espanto e com terror, que a “austeridade” irá durar mais quinze ou vinte anos. A despedida do PSD chegou na altura certa.»

Eduardo Pitta no blogue Da Literatura